No Brasil, sobe o uso de carros e cai o uso de transporte público.

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No Brasil, a tendência é praticamente oposta à dos países desenvolvidos. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizado em 12 regiões metropolitanas do país, na última década o uso do carro aumentou 8% ao ano, e o de motocicletas, 15% ao ano. Enquanto isso, o uso de transporte público caiu 30% nos últimos dez anos. “Esse crescimento do transporte individual é muitas vezes interpretado pelas pessoas como uma melhora na qualidade de vida. Mas, do ponto de vista da cidade, é um problema sério: gera congestionamentos, poluição, acidentes de trânsito”, diz Carlos Henrique Carvalho, pesquisador o Ipea.

Segundo Carvalho, o Brasil viveu um período de degradação do transporte público, com perda de qualidade e aumento de tarifas. Com a economia aquecida, os brasileiros que podem manter um carro evitam usar os serviços públicos. O resultado é um círculo vicioso em que as pessoas não usam transporte coletivo porque o serviço é ruim, o que diminui a arrecadação de empresas de ônibus e metrô e, consequentemente, aumenta a tarifa e piora o serviço prestado. Para Carvalho, a solução é inverter as prioridades de transporte no Brasil, investindo mais em transporte público e estimulando o uso racional de carros e motos.

Para Paiva, reduzir o uso do carro pode ser bastante positivo tanto para as cidades quanto para as pessoas. O ambientalista cita estudos que mostram que o crescimento da motorização está relacionado com a obesidade nos EUA: ir a pé ou de bicicleta ao trabalho seria uma forma de poluir menos e ainda manter a própria saúde. “No Brasil, cerca de 25% dos trabalhadores moram até 30 minutos a pé do trabalho, e outros 45% até 60 minutos a pé. De bicicleta, essa distância em termos de tempo cairia para 10 e 15 minutos. Ou seja, 75% dos trabalhadores poderiam adotar formas alternativas de deslocamento”. Resta ao poder público criar mecanismos que incentivem essa mudança, além de garantir a segurança de pedestres e ciclistas no trajeto.

Paiva acredita que a solução para a mobilidade passa por ações integradas, e cita as cidades alemãs que trabalham com o conceito de Transport Demand Management, o gerenciamento da demanda por transporte. Nesse conceito, a cidade estuda quais são as demandas de mobilidade e atua onde há excesso de automóveis, com o objetivo de melhorar todo o sistema. “Isoladas, medidas como pedágio urbano não passam de arrecadadores de receita para a prefeitura, mas bem projetadas e em sinergia com outros programas, podem transformar a forma de se locomover na cidade.”

Sem dúvida, andar de carro pode ser mais confortável em uma cidade que não possui a infraestrutura de transporte para atender seus moradores. Para que a tendência de aumento do uso do carro seja revertida nas grandes cidades brasileiras, é necessário convencer os motoristas a deixar o carro na garagem. Quais medidas você acha que ajudariam a tornar essa decisão mais conveniente do que enfrentar os engarrafamentos?

Fonte: Época.

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