Redução da velocidade viária melhora fluidez no trânsito.

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Algumas cidades brasileiras buscam restringir a velocidade dos veículos nas vias com o objetivo prioritário de reduzir o número de acidentes de maior gravidade. Outro fator que tem sido pouco considerado com essa medida é a melhoria do trânsito.
Os dados recentes apontam que os congestionamentos também podem diminuir com a redução de velocidade. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, comparando os períodos de julho a agosto de 2015 com o mesmo período de 2014 nas vias onde houve redução de velocidade, os índices de lentidão caíram 3% no período de pico da manhã e 21% à tarde.
A redução nos congestionamentos tem lógica. De acordo com os estudiosos, quando há redução de velocidade, também há menor distância necessária entre os carros, aumentando a capacidade da via. No caso das marginais de São Paulo, é como se uma faixa a mais fosse criada todos os dias.
O ex-secretário dos transportes de Washington, Doug McDonald, disse que a questão não é só de mobilidade, mas de física, pois “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo”. Para explicar, em suas palestras, ele faz a experiência dos grãos de arroz num funil. Quando todos os grãos são jogados no funil de uma só vez, rapidamente, eles entalam no final e passam mais dificilmente. Já quando os grãos são jogados mais vagarosamente, não há problema, pois a distribuição é uniforme.
A lógica, segundo ele, é a mesma, guardando as devidas proporções. A fluidez do tráfego deve ser a mais contínua possível. Mas carros, motos, caminhões e ônibus não são grãos de arroz. Será que existem cálculos independentes de CET ou órgãos públicos que podem comprovar os benefícios ao trânsito?
Além do exemplo das marginais de São Paulo, outras cidades mostram que a redução dos limites de velocidade, feita com planejamento e estudos, amplia a capacidade das vias. O Departamento de Planejamento de Cidades de Helsinque, na Finlândia, constatou que mais carros transitam por hora quando a velocidade está a 35 km/h do que a 60 km/h.
O mestre em planejamento de transportes pela Universidade de Leeds e doutorando em engenharia de sistemas na Universidade de Birmingham Marcelo Blumenfeld, em artigo, faz as contas e explica que uma redução de 20 km/h pode fazer com que a distância entre os veículos possa ser até 50% menor.
Diante do quadro, os especialistas garantem também que com o fluxo mais organizado das vias, com velocidade mais constante, o funcionamento do transporte coletivo também é beneficiado. Na prática, a via acaba também se adequando à velocidade dos ônibus que, em pistas compartilhadas, acaba sendo menor.
Adamo Bazani é jornalista especializado em transportes e autor do Blog Ponto de Ônibus.
Artigo publicado na Revista NTU Urbano edição n.º 18

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